A Reforma Tributária, aprovada em duas etapas (2023 e 2024) e atualmente em fase de regulamentação, trouxe dúvidas para milhões de brasileiros que atuam como Microempreendedores Individuais (MEI). Afinal, o que muda para esse modelo empresarial que representa mais de 15 milhões de CNPJs ativos no país?
A boa notícia é que, de forma geral, o MEI continua existindo e permanece com seu regime simplificado, mas algumas regras passam por ajustes importantes para os próximos anos.
O MEI continua existindo?
Sim.
A Reforma não extinguiu e nem substituiu o MEI. O governo e o Congresso mantiveram o regime por entenderem que ele cumpre um papel essencial na formalização, geração de renda e facilitação do empreendedorismo.
Contudo, a proposta prevê harmonização gradual para integrar o MEI ao novo modelo de arrecadação de impostos sobre consumo (IBS e CBS). Isso significa que algumas regras de recolhimento podem ser ajustadas no futuro, sem acabar com o regime.
O que muda para o MEI na prática?
1. Unificação dos tributos sobre consumo
A Reforma cria dois novos impostos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal
- IBS, estadual e municipal
O MEI continuará pagando um valor mensal fixo, mas esse valor vai englobar esses novos tributos. Para o MEI, o pagamento continuará sendo unificado no DAS, como já acontece hoje.
2. Possibilidade de atualização dos valores do DAS
Como os impostos estão sendo reorganizados, existe a possibilidade de o governo atualizar o valor do DAS-MEI nos próximos anos para inclusão dos novos tributos.
Ainda não há definição de aumento — isso dependerá das leis complementares que serão aprovadas até 2026.
3. Mudanças na nota fiscal e créditos tributários
Com o novo sistema, empresas que compram de MEI poderão ter direito a crédito de IBS/CBS.
Hoje não existe esse crédito, o que pode tornar as compras de MEI menos vantajosas.
A tendência, com a Reforma, é que o MEI possa emitir notas fiscais com IBS/CBS destacado (mesmo sem pagar a mais), permitindo que o comprador tenha crédito. Isso ainda será regulamentado.
4. Possíveis ajustes no limite de faturamento
O limite atual é de R$ 81 mil por ano, mas há discussões no Congresso para elevar esse teto para entre R$ 108 mil e R$ 144 mil.
A Reforma não define isso, mas abriu espaço para atualizações.
5. MEI Caminhoneiro
O MEI Caminhoneiro, com limite de R$ 251 mil, também continua.
Os mesmos ajustes de integração ao novo sistema tributário devem valer para ele.
O que NÃO muda para o MEI
- Não haverá aumento imediato no imposto.
- O registro continuará simples e barato.
- A carga tributária seguirá reduzida, em comparação a outros regimes.
- A aposentadoria e os benefícios do INSS continuam vinculados ao DAS.
Por que a Reforma quase não mexeu no MEI?
O governo decidiu preservar o regime por entender que o MEI é o principal canal de formalização do trabalho no Brasil, especialmente entre:
- profissionais autônomos,
- pequenos comerciantes,
- prestadores de serviços.
A cada ano, mais de 1 milhão de brasileiros migram para o MEI como alternativa de renda.
Por isso, a Reforma buscou não gerar impacto negativo nesse grupo.
O que esperar para os próximos anos?
Até 2026, o Congresso ainda votará as leis complementares que detalharão:
- como o MEI será integrado ao IBS e CBS;
- como ficará o DAS;
- como será a emissão de notas com crédito;
- se haverá atualização do limite de faturamento.
Os especialistas apontam que as mudanças devem ser graduais e leves, preservando o benefício do regime.
ConclusãoA Reforma Tributária não altera de imediato a vida do MEI, mas abre caminho para ajustes importantes no futuro. O microempreendedor deve acompanhar as regulamentações nos próximos meses, mas pode ficar tranquilo: o MEI permanece, continua simplificado e segue como porta de entrada para o empreendedorismo no Brasil.


